O mercúrio elementar é solúvel em gorduras, o que lhe permite atravessar membranas. A principal via de penetração são os pulmões, através da inalação dos vapores metálicos. Cerca de 80% dos vapores inalados são absorvidos nos alvéolos pulmonares, em conseqüência da alta difusibilidade da substância.

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O mercúrio é também absorvido através da pele ao contato com a forma líquida ou os vapores, com importância toxicológica; através do aparelho digestivo ele é absorvido na proporçào de 2-10% da quantidade ingerida.

Após penetrar no organismo, o mercúrio apresenta-se na forma metálica o que permite atravessar a barreira hematencefálica, atingindo o cérebro. No sangue e nos tecidos, ele é rapidamente oxidado ao íon mercúrio (Hg 2+) que se fixa às proteínas (albumina) e aos glóbulos vermelhos, sendo distribuído.

É armazenado no nível do cérebro e dos rins, com baixa taxa de eliminação através dos intestinos e rins, devido à sua baixa excreção renal. No sistema nervoso, armazena-se durante meses. É também eliminado pelas glândulas salivares, lacrimais e sudoríparas (do suor).

Os efeitos agudos na exposição são:

  • Aparelho respiratório: os vapores são irritantes para o aparelho respiratório, provocando bronquite e edema pulmonar. Surgem salivação, gosto metálico, lesão renal, tremores e convulsão.

  • Aparelho digestivo: gosto metálico na boca, sede, dor abdominal, vômito e diarréia.

  • Aparelho urinário: lesão renal, surgindo aumento da permeabilidade tubular, síndrome nefrótica, insuficiência renal, com oligúria, anúria e morte.

  • Sistema nervoso: alucinações, irritabilidade, perda de memória, irritabilidade emocional, confusão mental, anormalidades nos reflexos, coma e morte.

  • Pele: irritação cutânea, edema e pústula ulcerosa nas extremidades dos dedos.

Exposição crônica

A exposição prolongada ao mercúrio elementar leva às seguintes alterações:

  • Boca: inflamação da gengiva, que fica mole e esponjosa, dentes moles, inchação das glandulas salivares, excesso de saliva.

  • Sistema nervoso: tremores nos braços, nas mãos, pernas, pálpebras, nos dedos e lábios, vertigem e rubor.

  • Psiquismo: irritabilidade, perda de memória, alucinações, perda do autocontrole, insônia, depressão, pesadelos.

  • Outras alterações: rubor na face e lesões na pele.

Controle da exposição e prevenção da intoxicação

Controle ambiental com medições periódicas dos locais fechados. Ventilação adequada. Usar o mercúrio em sistemas fechados. Uso de equipamentos: roupas, luvas, etc.

Primeiros Socorros

Na inalação

Retirar da exposição, administrar oxigênio, se necessário. Atenção à possibilidade de o paciente apresentar pneumonite. Em caso de intoxicação aguda, administrar BAL (2-3 dimercaptopropanol) via intramuscular.

Na intoxicação crônica não existe antídoto específico. Pode-se tentar:

  • Penicilamina: 250 mg 4 vezes ao dia, durante 10 dias.

  • CaNa2EDTA: 20 mg/Kg de peso, por via venosa, durante 5 dias. Controle da excreção urinária do mercúrio.

Na ingestão

A indução do vômito está indicada em ingestão recente, e se o paciente está consciente e não tem convulsões. Pode ser usado xarope de ipeca. Se após duas doses não houver êxito, estará indicada a lavagem gástrica.

O carvão ativado em solução pode ser utilizado.

No contato com a pele

Lavar com água.

No contato com os olhos

Lavar com água corrente.

Controle biológico

Dosagem urinária do mercúrio. IBMP (NR 7) = 35 mg/g creatinina

Fonte: http://www.toxnet.com.br/

 

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